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quarta-feira, janeiro 07, 2004


// posted by michael seufert @ 12:15

Francisco Louçã & o aborto vs A Lei 

"O país real que temos é o país é o país que, em breve, irá continuar a assistir ao julgamento de sete mulheres por prática de aborto, no Tribunal de Aveiro." (in Público de 07-01-04, citando Jornal de Notícias de 06-01-04)

Pois é caro Franciso Louçã. É por estas e por outras que não entendo a esquerda portuguesa. Vejamos. O Francisco Louçã já terá reparado, perdoe-me a ironia, num placard de madeira que está na Assembleia da República mesmo atrás do púlpito donde já tantas vezes lançou reptos à direita deste país. Nesse placard está inscrita uma palavra em latim "LEX". Apesar de ser professor de economia, estará a par que Lex siginifica Lei. Aliás, está na AR com o propósito de as discutir, as leis. Assim, não me entra na cabeça como é que V.Exa. acha mal que o país assista ao julgamento. Sabe, é que se está na lei que o aborto é proibido, devemos aceitar que o estado aja em conformidade. Por muito que estejamos contra uma lei, não podemos achar que não se aplica a nós (ou a quem quer que seja), só por isso. Podemos (e devemos) lutar para que seja alterada, se acharmos que vale a pena, agora, já viu o que acontece se cada um escolhe quais leis são boas para si próprio, quais não?
Eu por exemplo, acho uma maçada não poder estacionar onde me apetece. Aqueles sinais de estacionamento proibido estão em cada sítio mais incompreensível. Acabavam já, para mim. Depois aquela coisa de pagar impostos... Enfim, nem digo mais nada.
Não compreendo como é que um deputado pode achar que a melhor maneira de viver num país, é cada um cumprir apenas as leis que acha justas, morais ou simpáticas (sei lá...). Na verdade, num estado de direito, eu não tenho muitas liberdades. Não posso dar um par de bofetadas (como queria o Alberto João Jardim) a alguém, só por que me apetece. Há liberdades que são restringidas para que todos possamos viver melhor.
Se concordamos ou não com esta ou aquela lei, não é razão para deixarmos de a cumprir. Muito menos para um tribunal não a aplicar. Se não concordamos, devemos lutar para que seja alterada, mas se não for, bem, resta-nos continuar a lutar, ou encolher os ombros. Tenho a certeza que v.exa. não é de encolher os ombros,e ainda bem, mas deixe de pintar as coisas como se o que se passasse fosse contra as leis ou a constituição. É justamente o contrário.

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